quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Hilda Hilst - DEZ CHAMAMENTOS AO AMIGO

foto by Carmen Fanganiello



DEZ CHAMAMENTOS AO AMIGO


Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo.
Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei.
E há tanto tempo
Entendo que sou terra.
Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu.
Pastor e nauta
Olha-me de novo.
Com menos altivez.
E mais atento.

Hilda Hilst


*Hilda de Almeida Prado Hilst (Jaú, 21 de abril, 1930Campinas, 4 de fevereiro de 2004) foi uma poetisa, escritora e dramaturga brasileira. Escreveu por quase cinqüenta anos, tendo sido agraciada com os mais importantes prêmios literários do Brasil.





segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Desejos de Drummond

Desejo a você…
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Crônica de Rubem Braga
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Uma tarde amena
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.


domingo, 2 de agosto de 2009

Chico Alvim - Manhã de Sol com Azulejos


Manhã de Sol com Azulejos

Francisco Alvim

Tudo se veste da cor de teu vestido azul
Tudo - menos a dona do vestido:
meus olhos te passeiam nua
pela grama do campo de golfe
Uma curva e eis-nos diante de meu coração
Não amiga não temas meu coração;
é apenas um chapéu surrado
que humildemente estendo
para colher um pouco de tua alegria
de tua graça distraída
de teu dia





Biografia: Francisco Alvim ou simplesmente Chico Alvim (Araxá, 1938) é poeta e diplomata brasileiro. Estreou em 1968 com o livro de poema O sol dos cegos, que junto de Antonio Carlos de Brito, o Cacaso, marcava o aparecimento do que José Guilherme Merquior chamou de a primeira geração de poetas “pós-vanguardas”. Entre 1969 e 1971 vive em Paris, onde escreve parte de seu livro Passatempo, lançado em 1974 pela coleção Frenesi, que editou também os livros Grupo Escolar, de Cacaso, Corações veteranos, de Roberto Schwarz, Em busca do sete-estrelo, de Geraldo Carneiro, e Motor, de João Carlos Pádua, livros que compõem a chamada poesia marginal, que ganhou publicidade com a antologia 26 poetas hoje, organizada por Heloisa Buarque de Hollanda. Em 1978, publica Dia sim, dia não, com Eudoro Augusto, e, em 1981 Festa e lago, montanha, que mantinham a marca da produção independente e artesanal do autor.
Em 1981 a editora Brasiliense reuniu seus livros em Passatempo e outros poemas, com o qual granhou o
prêmio Jabuti. Em 1988, lança Poesia reunida, que lhe rendeu outro prêmio Jabuti, e em 2000, Elefante, livros depois reunidos em Poemas (1968-2000).
Obtido em "
http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Alvim"





sábado, 1 de agosto de 2009

Naquela estação

Naquela Estação

Você entrou no trem
e eu na estação
Vendo um céu fugir
Também não dava mais para tentar....
lhe convencer....
a não partir
E agora tudo bem
Você partiu...
para ver outras paisagens
e o meu coração embora
finja fazer mil viagens
fica batendo parado naquela estação
João Donato de Oliveira Neto, mais conhecido apenas como João Donato (Rio Branco, 17 de agosto de 1934), é um instrumentista (pianista e acordeonista), arranjador, cantor e compositor brasileiro.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Nietzsche

Ziraldo - FLICTS

















"Não tinha a força do Vermelho,não tinha a imensidão do Amarelo,nem a paz que tem o Azul.
Era apenas o frágil e feio e aflito Flicts
"





Quem esteve ontem em Ribeirão Preto, participando de um salão de ideias,

foi o formidável Ziraldo, adorável figura, pai de tantos personagens,

sendo o mais famoso o Menino Maluquinho.

O primeiro livro de Ziraldo, FLICTS, está completando 40 anos de vida.
Editado pela primeira vez em 1969, conta a história de uma cor procurando o seu lugar no mundo, até que descobre que a lua dos astronautas é flicts.

O livro foi traduzido para diversos idiomas.
Ziraldo será o escritor infanto-juvenil homenageado da 10. Feira do Livro de Ribeirão Preto em 2010, homenagem mais do que merecida.



segunda-feira, 27 de julho de 2009

Metáfora


Dia desses lembrei -me desta música com a qual os poetas vão se identificar:

Metáfora
Composição: Gilberto Gil - 1982


Uma lata existe para conter algo
Mas quando o poeta diz:
"Lata"
Pode estar querendo dizer o incontível

Uma meta existe para ser um alvo
Mas quando o poeta diz:
"Meta"
Pode estar querendo dizer o inatingível

Por isso, não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata
Na lata do poeta tudo nada cabe
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha caber
O incabível

Deixe a meta do poeta, não discuta
Deixe a sua meta fora da disputa
Meta dentro e fora, lata absoluta
Deixe-a simplesmente
metáfora

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Amigos


Benditos!!!
*Machado de Assis*
Benditos os que possuem amigos,
os que os têm sem pedir,
Porque amigos não se pede,
não se compra nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos,
os que falam com o olhar,
Porque amigo não se cala
não questiona nem se rende,
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos,
os que entregam o ombro pra chorar,
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora
pra consolar!

Benditos sejam os amigos
que acreditam na tua verdade,
ou te apontam a realidade,
Porque amigo é a direção
é a base, quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos
de raízes, verdadeiros,
Porque amigos são herdeiros
da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

domingo, 19 de julho de 2009

Devagarinho

foto: Carmen Fanganiello
"Se me esqueceres, só uma coisa,

esquece-me bem devagarinho. "

Mário Quintana

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Fernando Pessoa




"Ah, não há saudades mais dolorosas do
que as das coisas que nunca foram!"
Fernando Pessoa