terça-feira, 31 de maio de 2011

Tentação em Maio


Tentação em Maio

Maio se extingue
e com tal luz
e de tal forma se extingue
...
que um pecado oculto me sugere:
não olhe porque maio não é seu.
Ninguém se livra de maio.
Encantados todos viram as cabeças:
'Do que é mesmo que falávamos?'
De tua luz eterna, ó maio,
rosa que se fecha sem fanar-se.


Adélia Prado
do livro A duração do dia

Convite


CONVITE

Caros amigos, no dia 04 de junho, sábado, às 9:30 da manhã, eu me apresentarei no Salão de Ideias da Feira do Livro de Ribeirão Preto  e gostaria muito de contar com presença de vocês.
Será uma manhã de vozes femininas na poesia, pois estarei muito bem acompanhada pelas poetisas Cecília Figueiredo e Eliane Ratier
Apareçam! Será um grande prazer vê-los lá.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Roseana Murray

Oferenda

Poesia é o que posso te oferecer
como um pouco de tempo claro
no fundo do tacho
como uma estrela de água


escuta: os pássaros forram a tarde
com seus invisíveis anseios


caminha com cuidado
o chão está armado
em cima de horizontes


tudo pode ruir de repente
essa casa de vento
meu coração


Roseana Murray

terça-feira, 24 de maio de 2011

Poema da grande alegria - Cecília Meireles

Olga Sinclair

Poema da grande alegria

Olhavas-me tanto
E estavas tão perto de mim
Que, no meu êxtase,
Nem sabia qual fosse
Cada um de nós...
Era num lugar tão longe
Que nem parecia neste mundo...
Num lugar sem horizontes,
Onde, sobre águas imóveis,
Havia lótus encantados...
Vinham de mais longe...
De ainda mais longe,
Músicas sereníssimas,
Imateriais como silêncios...
Músicas para se ouvirem com a alma, apenas...
E tudo, em torno,
Eram purificações...
Não sei para onde me levavas:
Mas aqueles caminhos pareciam
Os caminhos eternos
Que vão até o último sol...
E eu me sentia tão leve
Como o pensamento de quem dorme...
Eu me sentia com aquela outra Vida
Que vem depois da vida...
Eleito, ó Eleito,
Eu queria ficar sonhando
Para sempre,
Tão perto de Ti
Que, no meu êxtase,
Nem se pudesse saber
Qual fosse cada um de nós...

Cecília Meireles

11.a Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto


A 11.a Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto começa nesta quinta -feira dia 26/05
 MAIORES INFORMAÇÕES ACESSE O SITE OFICIAL DA FEIRA DO LIVRO http://www.feiradolivroribeirao.com.br/ (PROGRAMAÇÃO ONLINE)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Gratidão


"Enfim, tenho agradecido por estar vivo e ter andado por onde andei e ter vivido tudo o que vivi e ser exatamente como sou."

Caio Fernando Abreu
(em carta à Lygia Fagundes Telles)

sábado, 30 de abril de 2011

Cecília Meireles


"Minhas palavras são a metade de um diálogo
obscuro continuando através de séculos impossíveis.
Agora compreendo o sentido e a ressonância
que também trazes de tão longe em tua voz.
Nossas perguntas e respostas se reconhecem.
Como os olhos dentro dos espelhos.
Olhos que choraram.
Conversamos dos dois extremos da noite,
como de praias opostas.
Mas com uma voz que não se importa…
E um mar de estrelas se balança entre o meu pensamento e o teu.
Mas um mar sem viagens."

Cecília Meireles

terça-feira, 26 de abril de 2011

domingo, 24 de abril de 2011

Adélia Prado

"...quero ouvir tua alma
a que mora na garganta
como em túmulos
esperando a hora da ressurreição,
fala meu nome
antes que eu retorne
ao dia pleno,
à semi-escuridão."


Adélia Prado

terça-feira, 19 de abril de 2011

Saudade - Mia Couto


Saudade

Magoa-me a saudade
do sobressalto dos corpos
ferindo-se de ternura
sói-me a distante lembrança
do teu vestido
caindo aos nossos pés

Magoa-me a saudade
do tempo em que te habitava
como o sal ocupa o mar
como a luz recolhendo-se
nas pupilas desatentas

Seja eu de novo a tua sombra, teu desejo,
tua noite sem remédio
tua virtude, tua carência
eu
que longe de ti sou fraco
eu
que já fui água, seiva vegetal
sou agora gota trémula, raiz exposta

Traz
de novo, meu amor,
a transparência da água
dá ocupação à minha ternura vadia
mergulha os teus dedos
no feitiço do meu peito
e espanta na gruta funda de mim
os animais que atormentam o meu sono

Mia Couto