sábado, 17 de dezembro de 2016

Palestra no Instituto Esfera

No dia 19 de outubro,  ministrei a Palestra 'Poesia no Cotidiano' no Instituto Esfera.
Sempre muito bom falar de Poesia.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Poemas em mallamargens

Mais uma vez tenho a alegria de ter meus poemas publicados pela conceituada revista de poesia e arte contemporânea mallamargens.
Grata, Jandira Zanchi


http://www.mallarmargens.com/2016/12/6-poemas-de-mara-senna.html#!/2016/12/6-poemas-de-mara-senna.html

Mais uma exposiçào Fiori di Italia

Exposição Fiori di Itália na Biblioteca das Faculdades Anhanguera em Ribeirão Preto - obras de xilogravura e aquarela em técnica mista de Denise Muller e José Roberto Nocera e poemas de Mara Senna.
Bate-papo com as alunas da Pedagogia e livro com impressões sobre a exposição. Sempre muito bom.
Nosso muito obrigado aos coordenadores, professores e alunos pelo carinho com que nos receberam.
Veja as fotos:
https://www.facebook.com/mara.senna.3/posts/1352831358069697




Poema em exposição sobre Hedonismo

Meu poema Harmonia na Exposição " Hedonismo " da Alarp Ribeirão Preto na Bauhaus. Autores participantes:Carlos Roberto Ferriani Cléo Reis Cristiane Framartino Bezerra Eliane Ratier Helena Agostinho José Carlos Panazzolo Nely Cyrino de Mello Nelson Jacintho. Parabéns a todos.
Parabéns, também a todos os artistas da Alarp que estão expondo as suas obras. 








10 de dezembro - Dia do palhaço

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Palhaço

E o palhaço o que é?
É doce como a marmelada,
sim 'sinhô'!...

Se é ladrão de 'muié',
ninguém nunca provou...

Mara Senna


10 de Dezembro - Dia do Palhaço
 

Minha homnegem a todos os palhaços do Brasil e do mundo
em especial ao querido Piolin, o palhaço genial, meu patrono na cadeira 29 da Alarp



A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e pessoas sentadas





quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Retribuição


Nenhum texto alternativo automático disponível.

Retribuição

Para as alfinetadas
das mal amadas,
almofadas bordadas.
(cada um dá o que tem).

Mara Senna

Imagem da página: Meia canequinha de sidra doce meio bebida

Fuga

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Fuga

Queria ser
um pouco mais atrevida,
um pouco menos atrelada.
Afinal,
ou era a vida
ou era nada.
Achou saída:
fugiu pela fenda da saia.



Mara Senna


 Imagem:  desconheço o autor




domingo, 25 de setembro de 2016

Beijo alado

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Beijo alado

Pernas, pra que as quero,
se para alcançar a tua boca
tenho asas?

Mara Senna

Foto das Paralimpiadas do Rio (desconheço o autor)

sábado, 24 de setembro de 2016

Projeto Fiori di Italia na UNIP

No dia 13 de setembro aconteceu mais uma apresentação do projeto Fiori di Italia , durante a Semana de Administração da UNiP em Ribeirão Preto. O projeto iniciado pela artista Denise Müller congrega várias artes: artes visuais, poesia, música e teatro e conta com a participação dos artistas plásticos Denise Müller e José Roberto Nocera que apresentam obras com uma técnica mista inédita de xilogravura com aquarela, da poeta Mara Senna na poesia, da musicista Gilda Montans no acordeon e as atrizes Renata Martelli e Isabela Graeff na interpretação dos poemas.
Como o nome diz, tanto as obras, como os poemas e as músicas fazem referência à Itália, suas cidades e em especial, suas flores.
Os alunos da Administração e das Ciências Contábeis gostaram muito, participaram com perguntas sobre o trabalho de toda a equipe e relataram terem tido uma experiência inovadora, que só veio somar e ampliar o seu universo. Agradecemos muito ao Marcos coordenador dos cursos, os professores e todos da UNIP pela receptividade.

Vejam as fotos
https://www.facebook.com/mara.senna.3/posts/1313604945325672

Participação na mesa A poesia de todos os dias'' no Fliaraxá


Foi uma emoção  participar do Fliaraxá como autora araxaense na mesa A Poesia de todos os das.. Tive a excelente companhia da poeta Líria Poro  e do escritor Rafael Nolli  O auditório estava cheio, a plateia maravilhosa, participativa .

E foi uma honra ter estado ao lado de tantos grandes nomes da literatura nacional e internacional em minha terrra natal. Muito bom levar minha Poesia para minhas raízes.
Agradeço a presença de todos.  Agradeço o convite do  Jose Santos.  Agradeço à organização do Fliaraxá.   Até o ano que vem!  #Fliaraxá .
Valeu muito!











A imagem pode conter: 1 pessoa , texto


Vejam o vídeo: https://www.facebook.com/mara.senna.3/posts/1311311625555004


Vejam mais fotos neste link: Créditos de Daniel Bianchini. 


https://www.dropbox.com/sh/rokoyxlb9vge2lm/AACWR_y_FarMNuZtosetYdd6a/Dia%2017/A%20poesia%20de%20todos%20os%20dias%20-%20Mara%20Senna%20e%20Liria%20Porto?dl=0


Mais fotos
https://www.facebook.com/mara.senna.3/posts/1309289245757242




quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Participação no Fliaraxá

No dia 17 de setembro participarei de uma mesa sobre Poesia no Festival Literário de Araxá junto com a poeta Líria Porto. 
Como fazer e viver a poesia todos os dias? Esta é a pergunta que as duas escritoras mineiras, Mara Senna e Líria Porto, vão tentar responder. Apaixonadas por poesia e autoras de vários livros, elas vão falar de seu processo de criação nessa mesa que vai ser só de mulheres e poesia.
http://www.fliaraxa.com.br/convidados/



http://www.fliaraxa.com.br/convidado/mara-senna/


Poeminha de Agosto


A imagem pode conter: flor




Poeminha de agosto


Agosto,
a seu gosto
ou ao seu desgosto.
  Se perdeu o gosto,
melhor deixar
a gosto de Deus;
Eu não gosto mesmo
de adeus...



Mara Senna


agosto/2011









Oficinas com Antônio Cícero e Alice Ruiz

Julho foi um mês muito proveitoso  de aprendizado.
Oficina de Poesia e Filosofia com Antônio Cícero
e Oficina de Hacai Alice Ruiz
na Estação das Letras, RJ.
Veja as fotos no link


https://www.facebook.com/mara.senna.3/posts/1243243979028436


https://www.facebook.com/mara.senna.3/posts/1245032142182953

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Trechos de uma carta que nunca escrevi IV

Foto de Poeta Mara Senna.


Trechos de uma carta que nunca escrevi IV

Não sei se por distração
ou desejo,
perdi a hora do esquecimento...
e envio cartas eternas
que não hás de receber,
a não ser que também te lembres
de as enviar.

Mara Senna

Hibernação






Hibernação


Que me perdoem a ausência,
mas de tanto frio,
hibernei.
Tenham um pouco de paciência...
Estou em estado de latência,...
e voltarei.



Mara Senna

Suspiro







Suspiro




A tua ausência é ar
que ao mesmo tempo
falta e assopra....
É giro sem par
no vai-da-valsa.
Não danço bem,
mas danço,
mesmo que demores muito
a voltar.



Mara Senna

Oferta





Oferta


Dias frios dão-me vontade
de escrever
romances densos,...
contos nebulosos,
porém continuo escrevendo
meus poemas teimosos.
Mas com eles me aqueço,
e os ofereço
a quem os aceitar.



Mara Senna

Trechos de uma carta que nunca escrevi (III)

Foto de Poeta Mara Senna.

Trechos de uma carta que nunca escrevi (III)
 
Se houvesse um só dia
em que eu pudesse deixar de partir,
e pudesse desfazer as malas ...
sempre tão cheias de ti;
talvez, quem sabe, eu descansasse
e fosse feliz.

Mara Senna

Despedida boba

Foto de Poeta Mara Senna.
Foto de Poeta Mara Senna.

Despedida boba

-adeus...
-até nunca mais?
-não, até de vez em quando......
-e como saberei que é quando?
-quando for a vez, saberás...
-então, até já!

Mara Senna

terça-feira, 21 de junho de 2016

Salão de Ideias Poesia com diferentes olhares sobre o mesmo tema


No dia 14/06  durante a na 16a, Feira do Livro de Ribeirão Preto. aconteceu o Salão de Ideias " Poesia com diferentes olhares sobre o mesmo tema" na preciosa companhia dos talentosos poetas João Augusto e José Augusto Camargo e mediação da querida e talentosa Nely Cyrino de Mello. Uma celebração em torno da Poesia. Muito obrigada pela presença e participação de todos!


Crepuscular

Este é o poema que recebeu o terceiro lugar nacional no
Prêmio Literário Mário Sérgio Cortella da 16a. Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto.
O tema foi "A beleza não está nem na luz da manhã nem na sombra da noite, está no crepúsculo, nesse meio tom, nessa incerteza." Lygia Fagundes Telles.

  Foto de Poeta Mara Senna.

Crepuscular

Poentes: já vi tantos,
e de tantos encantos vestidos.
O lusco-fusco a brincar comigo
como olhos fugitivos
que ora me alumiam,
ora me deixam só,
no prenúncio da escuridão.
Poentes: já vi tantos,
e não me canso dos seus tons quentes
de paixão, de cores indizíveis.
O fugaz encontro do dia e da noite,
o beijo breve de dois amantes impossíveis.
Poentes: já vi tantos,
o fogo do dia a queimar os últimos pavios,
antes de a noite embarcar, absoluta,
em seus negros navios.
Nada vai ser igual quando a escuridão chegar.
Nada será tão intenso quando o sol raiar.
Nada se compara à plenitude desse momento,
intenso e crepuscular.
Poentes: já vi tantos,
essa hora que é ao mesmo tempo,
beleza e incerteza,
chegada e partida.
E me pergunto, entre tantos desenganos:
quantos ainda hei de ver
da janela imprevisível da vida?

Mara Senna

foto: internet

Entrega do Prêmio Mário Sérgio Cortella



No dia 12 de junho recebi a premiação pelo terceiro lugar - modalidade poema  - nacional - no Prêmio Literário Mário Sérgio Cortellla da 16.a Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto. Parabéns a todos os premiados!

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Video- homenagem do alunos surdos da E.E. Sebastião Fernandes Palma

Este é o video feito pelos alunos surdos que me fez chorar de emoção ontem na E. E. Sebastião Fernandes Palma. Agradeço de coração aos queridos alunos, às professoras Janaina Malta Lima e as interlocutoras de Libras: Camila de Paula e Dienifer, à professora Luciane Matheus que coordena Sala de Leitura, á diretora Maria Teresa e a todos da escola pelo carinho. E sou grata à Poesia que me proporciona essa riqueza.


https://www.youtube.com/watch?v=L2ssGpAoTOg&feature=share

Manhã e Tarde Poética na E.E. Sebastião Fernandes Palma

Ontem estive na Escola Estadual Sebastião Fernandes Palma a convite da coordenadora da Sala de Leitura Professora Luciane Aparecida Matheus para uma dupla jorna...da: uma manhã poética com os alunos do Ensino Médio e uma tarde poética com o alunos do 8o. Ano, entre eles os alunos surdos que freqüentam a Sala de Recursos da escola. Fui muito bem recebida pelas professoras Luciane, Adriana e os demais, pela diretora Maria Teresa e pelos alunos que já estavam fazendo leituras dos poemas dos meus três livros há alguns meses, e me encantaram com as declamações, desenhos, móbiles de poesia, homenagens e música. Além disso as lindas professora da Sala de Recursos e intelocutoras de libras Professora Janaina Malta Lima, Camila de Paula e Dienifer me presentearam com uma das mais belas homenagens que já recebi desde que me tornei escritora: os alunos surdos-mudos fizeram um vídeo em que declamavam meus poemas em libras com interlocução da professora Janaina. Chorei de emoção. Uma experiência inédita e maravilhosa. Agradeço de coração tanto carinho, tanto afeto. Como diz Adélia Prado: " que a Poesia use de todos os meios de transporte para chegar ao coração dos homens".
Vejam a s fotos no link:
https://www.facebook.com/mara.senna.3/posts/1220674401285394

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Premiação

E a semana começou com boas notícias: fui premiada com o terceiro lugar modalidade poema no Prêmio Literário Mário Sérgio Cortellla da 16.a Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto.
Do concurso participaram estudantes do ensino básico de Ribeirão Preto e adultos de todo o país.
A cerimônia de premiação será no dia 12 de junho de 2016 às 11:00 no Café do Theatro Pedro II.



sábado, 4 de junho de 2016

Poema anti-heroico









Foto de Poeta Mara Senna.

Foto de Poeta Mara Senna.Foto de Poeta Mara Senna.



Foto de Poeta Mara Senna.





Poema anti-heroico


O que me irrita
adoece-me feito criptonita,
e essa coisa de Batman e Robin...

há muito já deu pra mim.
Alguém poderá salvar o Homem-Aranha
enroscado na própria teia
ou a Mulher-Maravilha
presa em sua própria armadilha?
 
Mara Senna

31 de maio


Foto de Poeta Mara Senna.

31 de maio

De maio eu saio,
mas maio não sai de mim,
tenha sido ele dessa vez...

nem tão bom
e nem tão ruim.
Parto sem sair,
tento partir,
ensaio,
mas maio não sai de mim
nem eu de maio.

 
Mara Senna

Ausência

Foto de Toda Prosa - Mara Senna.

Uma crônica que escrevi há alguns anos e que ficou guardada até amadurecer o sentimento:

Ausência

Subitamente, o dia azul de abril tornou-se cinza. e embora houvesse muita luz, sol e harmonia naquela manhã de outono, para mim, havia cessado a estação. Tudo ficou opaco e pesado como o chumbo e eu senti afundar o chão sob meus pés. Minha mãe partira para sempre naquela manhã, avisava a voz do meu irmão ao telefone.
Fiquei sem rumo e francamente parva. Anteontem eu havia me despedido dela na porta de sua casa, parecia bem, acenou-me do alpendre com um sorriso. Mal sabia eu que seria o seu último adeus.
Aos meus ouvidos chegava agora o canto de algum pássaro indiferente, e desinformado da minha dor. Eu compreendera assim, num relance, que quando viesse a flor de maio, eu já não iria florir como de costume. Uma névoa circundou-me em um abraço gelado que só a morte sabe dar. Meu coração agora já estava em pleno inverno
Uma dor lancinante cobrava-me dentro do peito o muito que eu perdia assim, tão de repente. E me vinha ao pensamento um verso do Vinícius: “de repente, não mais que de repente do riso fez-se o pranto...”
E até o ‘de repente’ me soava estranho. Eu sabia o quanto eu havia tentado, ao longo da vida, me preparar para esta perda tão previsível, que Cecília, soube cantar tão bem em seus versos: “era uma ausência que se demorava, uma despedida pronta a cumprir-se.” E, no entanto, quando se cumpriu, eu me vi totalmente desprevenida.
Quem disse que a vida permite ensaio? A morte estreia triunfante na sua hora precisa; nem um minuto a mais, nem a menos, estejamos nós preparados ou não. E, na verdade, nunca estamos.
Nas folhas secas do chão, súbito, enxerguei claramente a transitoriedade da vida. Elas simplesmente caem na estação prevista, tornam ao pó e outras folhas nascem, tomam seu lugar e assim o ciclo da vida se repete.
Olhei as paineiras que sempre florescem nessa época. Saltavam-me agora aos olhos os grandes espinhos no seu tronco, contrastando com a beleza rósea e suave das suas flores. Flor e espinho, riso e pranto, prazer e dor: seria essa a receita oculta da vida?
Eu buscava, como que desesperada, aprender de Drummond, a ausência “branca e pegada”, mas a minha, nesse momento, era negra e tinha mais a dureza da pedra do que o aconchego dos braços. Talvez, como disse o poeta mineiro, eu ainda fosse mesmo ignorante dessas coisas e lastimasse a falta. Mas ele que tanto entendeu das pedras, há de saber mais do que ninguém o que sinto e entenderá que também eu “tenho razão de sentir saudade.”
Mas, neste ponto, peço desculpas por ousadamente contradizer Vinícius, e dizer que eu não “deixarei que morra em mim a vontade de amar os seus olhos” tão verdes, nem o som gostoso da sua risada, o carinho das suas mãos nos meus cabelos, a doçura da sua voz. Até que um dia eu aprenda a transbordar tanto dessa ausência, que eu possa quase acreditar que de fato eu tenha voltado a ser feliz. E que nunca mais, nada nem ninguém, possa tirá-la de mim. E eu possa repetir Proust e afirmar que a ausência de minha mãe será para mim “a mais certa a mais intensa, a mais indestrutível e a mais fiel das presenças.”
Que assim seja. E há de ser.
 
Mara Senna
Imagem: Leslie Stahl

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Quintaneando


Foto de Poeta Mara Senna.


Quintaneando


Hoje o dia está azul
como o perdão de Quintana:
impossível não ser feliz.
E porque as nuvens estão de folga,
as dores estão mais calmas,
as almas mais serenas,
Tudo porque o dia é azul,
um azul misericordioso.

 
Mara Senna


baseado  no poema de Mário Quintana
foto: Google

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Prêmio

Prêmio

Toda segunda-feira é uma ladeira
na subida.
Então, imagino que me espera
um beijo seu na chegada.
Aí, depois,
é só rolar na desciida
Mais nada...

Mara Senna

Imagem: Berdia Geliashvili

23 de abril - Dia Mundial do Livro


Livro
 
Devoro-te com os olhos.
Sinto teus cheiros.
Desfolho uma a uma as tuas páginas,

pétalas sépias.
Se te tenho nas mãos, me possuis
Se me prendes, me libertas
com as palavras certas.



E desde o teu começo
renego o teu fim,
pois se em ti me esqueço,
quando findares,
o que será de mim?
Mas, generoso,
recompensas o meu apreço
e te reinventas, faz-te novo,
 te eternizas em recomeços.
Mara Senna
 
23 de abril - Dia Mundial do Livro
 

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Velhas canções


Velhas canções


O rádio do carro toca flashbacks'', músicas diretas do túnel do tempo: temas de novelas, filmes, coisas de outras épocas douradas, ou pelo menos, que hoje, de longe assim me parecem.
Uma a uma eu as reconheço, e canto bem alto, revivendo as letras.
Nessa hora, sou de novo jovem, sou estudante, sou namorada....

Tenho nos lábios os tons da inocência perdida, no corpo, roupas de outras modas, nos olhos maquiagem de 'dancing days`.
Em que momento será que nos transformamos em velhas canções e nem percebemos?
 
Mara Senna

Vila Rica



Foto de Toda Prosa - Mara Senna.

Vila Rica

Neste dia 21 de abril, dia de Tiradentes, como mineira de raiz que sou, me vem à tona a lembrança de Ouro Preto, antiga Vila Rica, cidade que conheci como a palma da minha mão em tempos de estudante, quando o coração também era de estudante.
Subir as suas ladeiras, andar pelos seus becos e vielas, é como entrar numa máquina do tempo e ouvir de novo os sussurros, as conspirações atrás das grandes portas e janelas.
É ouvir os suspiros de amor das alcovas, os poemas de Dirceu para sua Marília.
É contar os contos dos contos de réis.
É saber que cada uma daquelas pedras seculares traz um segredo, que jamais contarão. Não, as pedras de Ouro Preto não são traidoras como o foi Joaquim Silvério dos Reis. Se delas dependesse, as ruas não teriam bebido o sangue de Joaquim José da Silva Xavier.
Um dia, em uma das visitas à cidade, eu bem jovem, perambulando por suas ruas, perdi uma pulseira de ouro. Creio que deve ter caído em uma das suas infinitas gretas, e ali ficado invisível e inacessível entre as pedras. Talvez tenha ficado ali para sempre. Na época fiquei triste, porque era um presente de minha mãe. Hoje, agrada-me saber que ali deixei meu ouro misturado ao seu ouro negro. É como se, assim, eu tivesse me incorporado à sua história.
Hoje, quando vejo alguém que viaja ao exterior, mas que não conhece Ouro Preto, digo que é, sim, maravilhoso subir as ladeiras de Roma, ou de Montmartre em Paris, ou de São Francisco, que é muito bom subir e descer pelas ladeiras do mundo todo, mas que a sua viagem só será completa quando subir as ladeiras de Ouro Preto; só para encontrar ali a sua própria história na eterna Vila Rica dos sonhos de liberdade.
 
Mara Senna

foto: Google - desconheço o autor