quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Mário Quintana

Boas Maneiras

Os anjos não dão os ombros, não;
quando querem mostrar indiferença os anjos dão as asas.

Mário Quintana

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Sedução - Mara Senna


Sedução

Ontem, quando vinha pela estrada,
pareceu-me que os flamboyants
vestidos de vermelho
ofereciam-se a mim, voluptuosos.
Os ipês, já quase nus,
desavergonhados,
estendiam-me seus tapetes de florada.
Senti-me lisonjeada...
Ao chegar ao meu portão,
o jasmineiro lançou-me perfumes lascivos,
e a estrelitza,
que nunca havia dado flores,
abriu-se sensual,
revelando todas as suas cores.
Os antúrios tinham ares de desvarios,
sem falar nos lírios, perdidos em sonhar.
As roseiras estavam em festa, encarnadas,
e a flor azul miúda, da qual não sei o nome,
também rebentava
em pequeninos gozos de safira.
Abri meus braços,
completamente entregue.
Fui seduzida pela Primavera.

Mara Senna

poema publicado em Luas Novas e Antigas e na antologia Ave Palavra!

Paulo Leminski



Abrindo um antigo caderno
foi que eu descobri:
Antigamente eu era eterno.

Paulo Leminski


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Solidão -Mara Senna



Solidão

Estou sozinha, sozinha.
Descubro que o silêncio tem barulhos.
Descubro que a escuridão não é total.
Descubro que não tenho medo,
que acredito em anjo da guarda
(e até sinto o roçar das suas asas!).
Descubro a delicadeza de Deus
em me fazer companhia.

Mara Senna
in Luas Novas e Antigas

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Fabricio Carpinejar



"Minha avó dizia: para ser feliz, a gente não precisa sair do lugar, a gente tem que ser o lugar."


Fabricio Carpinejar

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Convite Vernissage de Samara com poesia de Mara


Convite para a vernissage dE SIMONE SAMARA e o sarau com a poesia de MARA SENNA
dia 15/09/11, 5a. feira no Instituto de Linguas Estrangeiras da UNAERP 

domingo, 11 de setembro de 2011

Hilda Hilst


"Estou sozinha se penso que tu existes.
Não tenho dados de ti, nem tenho tua vizinhança.
E igualmente sozinha se tu não existes.

De que me adianta
Poemas ou narrativas buscando
Aquilo, que se não é, não existe
Ou se existe, então se esconde

Em sumidouros e cimos, nomenclaturas
Naquelas não evidências
Da matemática pura? É preciso conhecer
Com precisão para amar? Não te conheço.

Só sei que me desmereço se não sangro.
Só sei que fico afastada
De uns fios de conhecimento, se não tento.

Estou sozinha, meu Deus, se te penso."

Hilda Hilst

(Poemas Malditos Gozosos e Devotos - SP: Massao Ohno, 1984.)