quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Poema em antologia

Alegrias devem ser sempre compartilhadas. E por isso, quero dividir com vocês mais esta: recebi há pouco, no finalzinho do ano, a coletânea de poemas do Prêmio Sesc de Poesias Carlos Drummond de Andade, do SESC - DF.
 Fui uma dos 35 poetas selecionados de todo o Brasil , na edição do concurso de 2009.  O lançamento da antologia demorou um pouco mas valeu a pena esperar; o livro é lindo, super bem acabado e bem elaborado, como tudo o que o SESC faz. E o mais importante, a boa qualidade literária dos poemas selecionados por 09 jurados bem capacitados. Tudo isso me deixa ainda mais gratificada nessa árdua, mas prazerosa, caminhada de escritora.

capa do livro


mensagem

detalhe do livro

poema Bruma Seca
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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

João Cabral de Melo Neto


Questão de Pontuação

Todo mundo aceita que ao homem
cabe pontuar a própria vida:
que viva em ponto de exclamação
(dizem: tem alma dionisíaca);

viva em ponto de interrogação
(foi filosofia, ora é poesia);
viva equilibrando-se entre vírgulas
e sem pontuação (na política):

o homem só não aceita do homem
que use a só pontuação fatal:
que use, na frase que ele vive
o inevitável ponto final.

João Cabral de Melo Neto
(1920-1999)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Mil e uma noites - Mara Senna


Mil e uma noites

Eu queria ter-te conhecido mil dias antes.
Eu queria ter-te amado mil anos depois.
Eu queria ter vivido
as mil e uma noites acordada.
Mas eu tenho este cansaço,
este sono que não me larga.
Este dormir para não pensar,
este sonhar para não sofrer.

Mara Senna
(do livro Luas Novas e Antigas)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Saudade - Mara Senna

Saudade

A saudade tem a cor violeta,
uma dor violenta 
e a alma violentada

Mara Senna

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Epifania - Mara Senna

Epifania

Hoje é dia de Santos Reis.
Ouro e incenso só a Ti pertencem.
Aceito compartilhar contigo a mirra.
Toda essa minha humanidade
que lateja.

Mara Senna

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Surreal

Gente, vejam que coisa louca. Pesquisando outro dia no Google, descobri na Polônia, um livro que leva o meu nome! Fiz a tradução e algumas frases soam meio estranhas  e algumas palavras não sairam na tradução,  mas parece ser um livro juvenil,  de aventuras. E Mara Senna deve ser o nome do herói.
capa do livro
Texto:
"É a história de um jovem estudante apaixonado por literatura e pela arte do período romântico, escrita sob a forma de uma carta a um desconhecido. Bela, misteriosa e estranha. Ora - leva a uma viagem de aventura ... a jornada é perigosa e incomum -  o herói pode perder a sua vida...
Você precisa ler este livro, se você já teve dúvidas se o mundo em que vivemos, é que  é realmente real? Você deve conhecer as aventuras do personagem principal, se, como ele, você conhece pessoas que você não hesitaria em chamar de criaturas.
Procurando emoções nas noites de outono? Você gosta da história, da qual seu coração começa a bater mais rápido? Você gosta de sonhar ...?

Boa noite ..."
Este livro leva você ao mundo dos contos de fadas, sonhos e fé no amor.
"(...) No início eu não pude acreditar nos meus olhos - Eu nunca vi por estas bandas, e certamente não em nossa propriedade, o lobo selvagem, e  com uma cor tão incomum. (...) O lobo rosnou ameaçadoramente, e eu balançava a cadeira, tentando afastar o ataque esperado pelo monstro, mas isso não ocorreu. Eu olhei em direção ao castelo - todas as luzes estavam apagadas, o que significava que ambos os convidados e os meus pais tinham ido dormir. Eu virei meu olhar em direção ao animal, que estava perto de mim, inevitavelmente, powarkując(?) e espalhar seus dentes longos e afiados. Seus olhos tinham uma cor amarelada..."

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Dica de Leitura - Um Exílio e um Reino

Em seu   romance de estreia, o escritor e também filósofo e historiador, Adhemir Marthins já demonstra  todo o seu talento ficcional, presenteando-nos com um livro de grande qualidade.
A história se passa no final da década de 1980 e início de 1990. Sophia é a personagem central, cujo enredo começa com um acidente que a levará a um coma profundo, porta de entrada para uma viagem para dentro de si mesma, de devaneios e reminiscências. Uma mulher sem preparo para enfrentar a realidade do cotidiano, pois passara a vida toda confinada entre sua casa e seu trabalho. Com a aposentadoria vem então o desejo de conhecer o mundo e se depara com realidades totalmente estranhas a ela. Vive um amor frustrado, um assalto violento, e outras situações que a deixam com medo da vida, das pessoas. Refugiando-se em seu apartamento e enclausurada descobre que a via de escape da solidão é a escrita. Como leitora assídua de biografias produz um livro de memórias, não para ser comercializado, mas para figurar ao lado dos autores que tanto aprecia. A surpresa vem diante de seus olhos quando descobre o seu livro publicado e distribuído em algumas livrarias de sua cidade. O choque é evidente. A fuga também. Na luta para não se deixar ver pelas pessoas se envolverá de forma misteriosa em um assassinato. O cenário de Sophia é a cidade de Curitiba, suas ruas e praças, onde tem um encontro discreto com o escritor paranaense Paulo Leminski. Um Exílio e Um Reino é um livro onde é possível refletir sobre a liberdade e sobre o absurdo do existir em meio ao caos da histeria contemporânea. Segundo o premiadíssimo escritor Menalton Braff, responsável pela orelha do livro: “desde a primeira página, o leitor pega carona entre as muitas reflexões e rememorações na mente de Sophia, de onde não mais sairá até o fim do romance”. A leitura desse livro, com certeza, é um convite à reflexão sobre a vida.
Para contato com  o autor visite o seu blog: http://ilhadasletras.blogspot.com/

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Lya Luft

Canção da estrela murmurante

Nós nos amaremos docemente
nesta luz, neste encanto, neste medo;
nós nos amaremos livremente
nos dias marcados pelos deuses;

nós nos amaremos com verdade
porque estas almas já se conheciam;
nós nos amaremos para sempre
em ilhas de invenção e realidade.

Nós nos amaremos lindamente,
nós nos amaremos como poucos.
Nós nos amaremos no teu tempo.

Lya Luft

domingo, 2 de janeiro de 2011


"Os meus rastros desfiz
tentativa infeliz de esquecer"

Caetano Veloso
 em Fera Ferida

sábado, 1 de janeiro de 2011

Uma bela mensagem para 2011 - Frei Betto

Para ti e para mim, um feliz ano-novo. Não mera troca numérica de calendário, de quem mantém o corpo inerte, preso às raízes da insensatez. Nem a sucessão de dias que se repetem no giro cíclico dos gregos antigos, desprovidos de senso histórico. Nem a multiplicação das rugas que se acumulam em nossos corações, oxidadas pela covardia e a saudade de não ser o que se é.
Anseio por um ano-novo capaz de reacender em nós energias generosas, consciência crítica, solidariedade discreta, afetos adormecidos, e a irrefreável vitalidade de quem reinventa o amor a cada dia. Um novo tempo de alegorias, no qual a poesia nos embriague a alma.
Um novo ano despido de soberbas, de evocações ególatras, de rancores asfixiantes e da indizível inveja causada pela felicidade alheia. Ano livre de rumores nefastos, incontinência da língua, indiferença à dor e exacerbação de tudo aquilo que, em nós, esculpe o perfil ácido da desumanidade.
Para ti e para mim desejo um ano-novo em que cada manhã ressoe como o cantar de laudes sob o esplendor de uma revoada de pássaros. E que sejamos despertados pelo afago prenhe de alvíssaras. Sejam os nossos gestos expressões litúrgicas de bem-querer e gratidões.
Não desejo um novo ano de velhos vícios arraigados, como não considerar suficiente o necessário, acumular supérfluos nas gavetas da casa e do coração ou a leniência perante as injustiças. Nenhum ano pode ser novo se arrastamos vida afora nossas almas incendiadas pela ira, o humor de mãos dadas com o rancor, o orgulho como escudo frente aos que apontam nossos erros.
Quero, para ti e para mim, um ano-novo em que a partilha do pão instaure a paz e no qual toda paixão aflore em duradouro amor. Um ano no qual o tempo se desenlace como um tecido fino e transparente, a enlevar-nos na rota do transcendente. Ano de silente contemplação do milagre da criação e cuidadosa proteção da mãe natureza.
Faço votos de que em 2011 a cegueira apague nossas fúteis ilusões e que brotos de saudáveis quimeras palmilhem a estrada que conduz ao mais íntimo de nós mesmos. Seja para nós um ano de muita fortuna, inflado de projetos promissores, destituído de mesquinharias e perjúrios.
Ano bom é o que traz efervescência espiritual, o vinho a inebriar-nos do sagrado, a alma tecida de alegrias inefáveis, os passos movidos pela vontade alada, o vigor juvenil de quem não encara a velhice como doença. Ano de reavivar antigas amizades, libertar-se dos apegos vorazes, trocar a tagarelice pelo aconchego reflexivo dos livros e deixar a música inundar nossos mais recônditos sentimentos.
Ano-novo é o que transfigura nossas mais secretas intenções e projeta luz nas veredas escavadas por cada uma de nossas positivas atitudes. Assim, haverão de cair as escamas de nossos olhos, os ouvidos acolherão a melodia sideral, o perfume do otimismo nos inebriará, e de nossos lábios brotarão cânticos de aleluia.
Para ti e para mim seja o ano de 2011 ninho de férteis esperanças e senda primaveril rumo a outros mundos possíveis. À mesa, a gratuidade inconsútil; à porta, nossas resistências desarmadas; à sala, um rumor de anjos. E seja toda a casa reduto de sabores e saberes agradáveis ao paladar e à inteligência.
Seja novo, para ti e para mim, o ano entrante, não por reiniciar a sucessão de meses, semanas e dias, e sim por revitalizar nossos bons propósitos, livrar-nos da letargia frente aos desafios espelhados na utopia e arrancar de nosso âmago toda erva daninha semeada por ambições desmedidas.
Novo por incutir em nós a modéstia translúcida de avós afetuosas, o fervor espiritual dos místicos, a exuberância dos bailarinos a multiplicarem as potencialidades do corpo. Ano de romper barreiras do preconceito, derrubar cercas da ganância, fertilizar com sementes altruístas o chão no qual pisamos.
Para ti e para mim, um feliz ano-novo no qual a vida seja diariamente celebrada como dom de Deus, dádiva amorosa, encantadora aventura.
Ao longo deste ano esteja sempre presente, em nossas mentes e em nosso agir, que viver é muito perigoso.
  Frei Betto