Bem-vindo(a) ao meu blog! Sou Mara Senna. A poesia é o meu ofício, minha virtude e o meu vício, meu fim e meu início.Meu recomeço. Um desejo que não me larga, um amor que eu não esqueço. Uma dor comprida, uma alegria vivida, uma saudade sentida, uma palavra sufocada. A poesia em mim é tudo ou nada.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Ziraldo - FLICTS

"Não tinha a força do Vermelho,não tinha a imensidão do Amarelo,nem a paz que tem o Azul.
Era apenas o frágil e feio e aflito Flicts"
Era apenas o frágil e feio e aflito Flicts"
Quem esteve ontem em Ribeirão Preto, participando de um salão de ideias,
foi o formidável Ziraldo, adorável figura, pai de tantos personagens,
sendo o mais famoso o Menino Maluquinho.
O primeiro livro de Ziraldo, FLICTS, está completando 40 anos de vida.
Editado pela primeira vez em 1969, conta a história de uma cor procurando o seu lugar no mundo, até que descobre que a lua dos astronautas é flicts.
Editado pela primeira vez em 1969, conta a história de uma cor procurando o seu lugar no mundo, até que descobre que a lua dos astronautas é flicts.
O livro foi traduzido para diversos idiomas.
Ziraldo será o escritor infanto-juvenil homenageado da 10. Feira do Livro de Ribeirão Preto em 2010, homenagem mais do que merecida.
Ziraldo será o escritor infanto-juvenil homenageado da 10. Feira do Livro de Ribeirão Preto em 2010, homenagem mais do que merecida.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Metáfora

Dia desses lembrei -me desta música com a qual os poetas vão se identificar:
Metáfora
Composição: Gilberto Gil - 1982
Uma lata existe para conter algo
Mas quando o poeta diz:
"Lata"
Pode estar querendo dizer o incontível
Uma meta existe para ser um alvo
Mas quando o poeta diz:
"Meta"
Pode estar querendo dizer o inatingível
Por isso, não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata
Na lata do poeta tudo nada cabe
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha caber
O incabível
Deixe a meta do poeta, não discuta
Deixe a sua meta fora da disputa
Meta dentro e fora, lata absoluta
Deixe-a simplesmente
metáfora
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Amigos

Benditos!!!
*Machado de Assis*
Benditos os que possuem amigos,
os que os têm sem pedir,
Porque amigos não se pede,
não se compra nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos,
os que falam com o olhar,
Porque amigo não se cala
não questiona nem se rende,
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos,
os que entregam o ombro pra chorar,
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora
pra consolar!
Benditos sejam os amigos
que acreditam na tua verdade,
ou te apontam a realidade,
Porque amigo é a direção
é a base, quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos
de raízes, verdadeiros,
Porque amigos são herdeiros
da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Benditos os que possuem amigos,
os que os têm sem pedir,
Porque amigos não se pede,
não se compra nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos,
os que falam com o olhar,
Porque amigo não se cala
não questiona nem se rende,
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos,
os que entregam o ombro pra chorar,
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora
pra consolar!
Benditos sejam os amigos
que acreditam na tua verdade,
ou te apontam a realidade,
Porque amigo é a direção
é a base, quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos
de raízes, verdadeiros,
Porque amigos são herdeiros
da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
domingo, 19 de julho de 2009
sexta-feira, 17 de julho de 2009
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Pequenas Epiifanias
foto: Clark LittlePEQUENAS EPIFANIAS
Fragmentos disso que chamamos de "minha vida".
Caio Fernando Abreu
Há alguns dias, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor.
E você sabe a que me refiro. Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de "minha vida". Outros fragmentos, daquela "outra vida". De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas. Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração.
Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector "Tentação" na cabeça estonteada de encanto: "Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível". Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece.
De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou — descuidado, também — em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia. Era isso - aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania.
Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria. Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Teatro - Ensina-me a viver

Ensina-me a viver
Semana passada fui assistir à peça Ensina-me A Viver, uma das mais inusitadas e emocionantes histórias de amor do século 20, baseada no filme homônimo de 1971.
Para estrelar essa segunda montagem, que em 1981 teve os atores Henriette Morineau e Diogo Vilela, entraram em cena Glória Menezes e Arlindo Lopes.
Harold é um senhor de quase vinte anos, obcecado pela morte. Maude é uma menina de quase oitenta anos, apaixonada pela vida. Sensível, inteligente e rico, Harold perdeu o pai quando ele ainda era menino. Convive com uma mãe indiferente e autoritária, numa relação desprovida de qualquer contato afetuoso. Atormentado, Harold tenta chamar a atenção materna simulando tragicômicas tentativas de suicídio. A quase octogenária Maude, ao contrário, tem uma paixão incomparável pela vida. Aproveita cada segundo de sua existência como se fosse o último. O contato entre esses dois não poderia ser mais inusitado e improvável, mas quando se encontram, a sintonia é imediata. Maude, cheia de alegria e positividade, ensina ao deslocado Harold os prazeres da vida e da liberdade.
A montagem é ótima, todos os atores são espetaculares. Arlindo Lopes arrasa como Harold. E, óbvio, Glória Menezes merece todas as honras. Fantástica!
Enfim, uma peça emocionante, que faz a gente refletir sobre como é importante viver intensamente cada momento.
Frase-chave da peça: "O coração que não desistiu jamais envelhece..."
Semana passada fui assistir à peça Ensina-me A Viver, uma das mais inusitadas e emocionantes histórias de amor do século 20, baseada no filme homônimo de 1971.
Para estrelar essa segunda montagem, que em 1981 teve os atores Henriette Morineau e Diogo Vilela, entraram em cena Glória Menezes e Arlindo Lopes.
Harold é um senhor de quase vinte anos, obcecado pela morte. Maude é uma menina de quase oitenta anos, apaixonada pela vida. Sensível, inteligente e rico, Harold perdeu o pai quando ele ainda era menino. Convive com uma mãe indiferente e autoritária, numa relação desprovida de qualquer contato afetuoso. Atormentado, Harold tenta chamar a atenção materna simulando tragicômicas tentativas de suicídio. A quase octogenária Maude, ao contrário, tem uma paixão incomparável pela vida. Aproveita cada segundo de sua existência como se fosse o último. O contato entre esses dois não poderia ser mais inusitado e improvável, mas quando se encontram, a sintonia é imediata. Maude, cheia de alegria e positividade, ensina ao deslocado Harold os prazeres da vida e da liberdade.
A montagem é ótima, todos os atores são espetaculares. Arlindo Lopes arrasa como Harold. E, óbvio, Glória Menezes merece todas as honras. Fantástica!
Enfim, uma peça emocionante, que faz a gente refletir sobre como é importante viver intensamente cada momento.
Frase-chave da peça: "O coração que não desistiu jamais envelhece..."
domingo, 12 de julho de 2009
Timidez - Cecília Meireles
Foto: Carmen FanganielloTimidez
Cecília Meireles
Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
— mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...
— palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
— que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...
— e um dia me acabarei.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Assinar:
Postagens (Atom)



