segunda-feira, 20 de outubro de 2014

20 de outubro - Dia do Poeta


20 de outubro - Dia do Poeta
Outubro é cheio de datas que por missão cumprida carinhosamente me "pertencem": 

 Dia do Dentista, Dia do Professor... mas a de hoje tem sabor especial em minha vida, pois se confunde com a minha própria essência. Ser poeta é a minha essência.


A poesia é o meu ofício,
a minha virtude e o meu vício,
o meu fim e o meu início.
Meu recomeço.
Um desejo que não me larga,
um amor que eu não esqueço.
Uma dor comprida,
uma alegria vivida,
uma saudade sentida,
uma palavra libertada.
A poesia em mim é tudo
ou nada.

Mara Senna

Parabéns a todos os poetas!


20 de outubro - Dia do Poeta
Parabéns a todos os amigos poetas!
 

20 de outubro - Dia do Poeta 
Parabéns a todos os amigos poetas!
 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Anjo da Guarda

Foto: Hoje é dia do Anjo da Guarda

Solidão

Estou sozinha, sozinha.
Descubro que o silêncio tem barulhos.
Descubro que a escuridão não é total.
Descubro que não tenho medo,
que acredito em anjo da guarda
(e até sinto o roçar das suas asas!).
Descubro a delicadeza de Deus
em me fazer companhia.

Mara Senna in: Luas Novas e Antigas, 2009
 
02 de outubro - Hoje é dia do Anjo da Guarda

Solidão

Estou sozinha, sozinha.
Descubro que o silêncio tem barulhos....
Descubro que a escuridão não é total.
Descubro que não tenho medo,
que acredito em anjo da guarda
(e até sinto o roçar das suas asas!).
Descubro a delicadeza de Deus
em me fazer companhia.

Mara Senna
in: Luas Novas e Antigas, 2009



 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Poema Lição das Horas

Meu poema  Lição das Horas na página da Câmara Municipal de Ribeirão Preto
https://www.facebook.com/poetamarasenna/posts/860698117283026

Palestra no Otoniel Mota

No dia 23 /09 a palestra sobre Poesia foi para o terceiro ano do Ensino Médio da E. E. Otoniel Mota. O tema: Poesia para quê? - O papel da poesia no cotidiano Fui a convite da Profa. Heloisa Alves a quem agradeço. Estiveram presentes as Prof. Claudia Cantarella e Ana Martini que muito me horaram com a presença e participação. É sempre um prazer muito grande para mim poder falar de Poesia com os jovens.
Vejam fotos no link

Outonal


Em homenagem ao Dia do Idoso. Que todos possamos ter uma boa colheita nessa fase da vida. Plantemos boas sementes desde sempre.

 Foto: Em homenagem ao Dia do Idoso. Que todos possamos ter uma boa colheita nessa fase da vida. Plantemos boas sementes desde sempre.

Outonal

Chegou o tempo da ceifa.
Há frutos de todos os tamanhos;
uns melhores, outros piores,
uns mais doces, outros nem tanto...
O que vi, o que ouvi, o que falei,
O que amei, o que fiz está feito.
O que não fiz não tem mais jeito...
Resta sentar-me à sombra da minha árvore,
saborear o gosto da minha vida,
e serena, agradecer pela colheita.

Mara Senna
in. Luas Novas e Antigas, 2009
Outonal

Chegou o tempo da ceifa.
Há frutos de todos os tamanhos;...
uns melhores, outros piores,
uns mais doces, outros nem tanto...
O que vi, o que ouvi, o que falei,
O que amei, o que fiz está feito.
O que não fiz não tem mais jeito...
Resta sentar-me à sombra da minha árvore,
saborear o gosto da minha vida,
e serena, agradecer pela colheita.

Mara Senna

in. Luas Novas e Antigas, 2009

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O passado


Caros leitores do blog, hoje quero compartilhar com vocês um pouco do meu lado "prosa". Tenho muito carinho por este texto pois foi com ele que ganhei o meu primeiro prêmio literário no I Concurso de Crônicas da Academia de Letras e Artes... de Ribeirão Preto - ALARP
Espero que gostem.

O passado
Ela sonhara tanto com aquele momento que agora, ali, parada em frente ao espelho, mal podia acreditar que realmente o veria de novo.
Foram muitos anos, muitos longos anos! Não, não tinham sido anos de mocidade, quando o tempo parece ser mais generoso e só acrescentar mais graça e beleza ao corpo. Não. Tinham sido anos de maturidade, daqueles em que tudo vai mudando com uma rapidez extraordinária e um ano a mais parece acrescentar séculos ao rosto. Novas rugas, novos cabelos brancos, novas formas no corpo. Era isso que ela pensava enquanto se arrumava para encontrá-lo.
Por que ele não ligou antes? Por que não a procurou quando ela ainda parecia ter um resquício da bela mulher que fora? Não podia negar que por dentro se sentia bem melhor, mas o espelho, ah, o espelho, esse era implacável. Não a refletia por dentro, o insuportável...
Num impulso, pegou a fotografia que tinha dos dois juntos. Não, definitivamente ela não se parecia mais com a foto.
Por um instante, chegou a se arrepender de não ter feito aquela cirurgia plástica, de ter faltado tanto às aulas de ginástica, de não ter se cuidado tão bem quanto poderia. Ah, se ela soubesse que um dia iria encontrá-lo de novo, talvez até tivesse feito tudo isso... Mas, nos últimos tempos, andava de um jeito que se não tinha mais esperanças de um novo amor, muito menos de um antigo amor batendo à sua porta; e que amor!
Desde que começara a escrever romances, só vivia as histórias dos seus livros e dava a elas o rumo que bem entendia. Era a senhora do destino naquelas páginas. Só tinha se esquecido que o seu próprio destino continuava vivo.
Mais uma olhada no espelho. Talvez se puxasse o cabelo um pouco para frente, escondendo ligeiramente o rosto... E aquela blusa, ah, aquela blusa definitivamente não lhe caía bem! Não sabia onde estava com a cabeça quando a adquiriu naquela liquidação. E se usasse os brincos, aqueles que ele lhe dera? Melhor não – pensou - ele ficaria muito seguro de si ao saber que ela ainda os conservava.
Pensou em colocar algo vermelho. Ele adorava quando ela se vestia de vermelho. Olhou no guarda-roupa. Não havia uma só peça dessa cor.
E o perfume? Ainda tinha o vidro do perfume de que ele tanto gostava. Porém, ao abrir o frasco, logo sentiu o odor amargo das fragrâncias que envelhecem. Num relance, entendeu o que tinha acontecido. O caso dos dois era um perfume velho, com data vencida. Não possuía mais o mesmo aroma e não havia como voltar atrás.
Será que aconteceria o mesmo com os beijos, que não teriam mais o mesmo sabor? Com os abraços, que não teriam mais o mesmo calor? Com os olhares, que não teriam mais a mesma paixão? Seriam as mesmas pessoas se reencontrando? As respostas eram tão óbvias: não!
Olhou-se de novo no espelho. O problema não era só o que via. O problema era o que ela não queria enxergar: certas coisas ficam perfeitas na memória. Melhor deixá-las onde estão.
Lentamente foi tirando o sapato, a roupa, a maquiagem. Vestiu um roupão, sentou-se em frente ao computador e começou um novo livro, uma nova história, cheia de frescor.
O passado? Ele que a esperasse para o resto da vida.

Mara Senna
Esse texto recebeu o primeiro lugar no I Concurso de Crônicas da Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto, em 2009

Imagem da internet: desconheço o autor
Foto: Caros leitores da página, hoje quero compartilhar com vocês um pouco do meu lado "prosa". Tenho muito carinho por este texto pois foi com ele que ganhei o meu primeiro prêmio literário no I Concurso de Crônicas da Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto - ALARP
Espero que gostem.

O passado  

Ela sonhara tanto com aquele momento que agora, ali, parada em frente ao espelho, mal podia acreditar que realmente o veria de novo.
Foram muitos anos, muitos longos anos! Não, não tinham sido anos de mocidade, quando o tempo parece ser mais generoso e só acrescentar mais graça e beleza ao corpo. Não. Tinham sido anos de maturidade, daqueles em que tudo vai mudando com uma rapidez extraordinária e um ano a mais parece acrescentar séculos ao rosto. Novas rugas, novos cabelos brancos, novas formas no corpo. Era isso que ela pensava enquanto se arrumava para encontrá-lo. 
Por que ele não ligou antes? Por que não a procurou quando ela ainda parecia ter um resquício da bela mulher que fora? Não podia negar que por dentro se sentia bem melhor, mas o espelho, ah, o espelho, esse era implacável. Não a refletia por dentro, o insuportável...
Num impulso, pegou a fotografia que tinha dos dois juntos. Não, definitivamente ela não se parecia mais com a foto.
Por um instante, chegou a se arrepender de não ter feito aquela cirurgia plástica, de ter faltado tanto às aulas de ginástica, de não ter se cuidado tão bem quanto poderia. Ah, se ela soubesse que um dia iria encontrá-lo de novo, talvez até tivesse feito tudo isso... Mas, nos últimos tempos, andava de um jeito que se não tinha mais esperanças de um novo amor, muito menos de um antigo amor batendo à sua porta; e que amor!
Desde que começara a escrever romances, só vivia as histórias dos seus livros e dava a elas o rumo que bem entendia. Era a senhora do destino naquelas páginas. Só tinha se esquecido que o seu próprio destino continuava vivo.
Mais uma olhada no espelho. Talvez se puxasse o cabelo um pouco para frente, escondendo ligeiramente o rosto... E aquela blusa, ah, aquela blusa definitivamente não lhe caía bem! Não sabia onde estava com a cabeça quando a adquiriu naquela liquidação. E se usasse os brincos, aqueles que ele lhe dera? Melhor não – pensou - ele ficaria muito seguro de si ao saber que ela ainda os conservava.
Pensou em colocar algo vermelho. Ele adorava quando ela se vestia de vermelho. Olhou no guarda-roupa. Não havia uma só peça dessa cor.
E o perfume? Ainda tinha o vidro do perfume de que ele tanto gostava. Porém, ao abrir o frasco, logo sentiu o odor amargo das fragrâncias que envelhecem. Num relance, entendeu o que tinha acontecido. O caso dos dois era um perfume velho, com data vencida. Não possuía mais o mesmo aroma e não havia como voltar atrás. 
Será que aconteceria o mesmo com os beijos, que não teriam mais o mesmo sabor? Com os abraços, que não teriam mais o mesmo calor? Com os olhares, que não teriam mais a mesma paixão? Seriam as mesmas pessoas se reencontrando? As respostas eram tão óbvias: não!
Olhou-se de novo no espelho. O problema não era só o que via. O problema era o que ela não queria enxergar: certas coisas ficam perfeitas na memória. Melhor deixá-las onde estão.
Lentamente foi tirando o sapato, a roupa, a maquiagem.  Vestiu um roupão, sentou-se em frente ao computador e começou um novo livro, uma nova história, cheia de frescor.
O passado? Ele que a esperasse para o resto da vida.

Mara Senna
Esse texto recebeu o primeiro lugar no I Concurso de Crônicas da Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto, em 2009

Imagem da internet:  desconheço o  autor

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Ipê branco

Foto: Como pipoca,
o ipê branco espouca
bem na porta da minha casa.
Sou  passarinho sem asa,
a contemplar do chão.

Mara Senna
 
Como pipoca,
o ipê branco espouca
bem na porta da minha casa.
Sou passarinho sem asa
a contemplar do chão,
tamanha explosão.

 Mara Senna
 

 

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Feira do Livro de Sertãzinho - Convite

Convite:
Amigos, quero convidá-los a participarem nesta sexta, dia 05 de setembro,às 17:30 do ENTARDECER POÉTICO na Feira do Livro de Sertãozinho. Primeiro, serão feitas leituras dramáticas de poemas de Fernando Pessoa por Eliane Ratier e Zeluiz de...Oliveira e em seguida às 18:30 leituras dos poemas do Notícias Poéticas da Eliane Ratier e dos poemas dos meus livros Luas Novas e Antigas e Ensaios da Tarde por Zéluiz e ,Manu Carvalho. atores de Sertãozinho. Vai ser um show! Não percam!
Agradeço de coração ao poeta e ator Zé Luiz de Oliveira presidente da Academia Sertanezina de Lelras. pelo generoso presente. Gratidão.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Acordar Setembro



Acordar setembro
 
Abro a janela, enfim.
Acordo setembro
aqui, dentro de mim.
Visto a roupa dos ipês...
Compenso o cinza
que me deixou abril,
os espinhos de maio,
 as tristezas de junho,
as saudades de julho
e a solidão de agosto.
Tento brotar de novo;
não sei se volto inteira.
Tento brotar de novo;
ainda não sei de que maneira.
Mas tento.

Mara Senna
no livro Ensaios da Tarde, 2012
 Imagem:  Evgeny Mukovnin